O que a aquisição da Topaz Labs pela Adobe significa para profissionais criativos?

A aquisição da Topaz Labs pela Adobe pode representar avanços importantes para ferramentas como Firefly e Photoshop, principalmente em recursos relacionados a melhoria de imagens com AI.

Depois de um período mais discreto em relação a aquisições, após a tentativa frustrada de comprar a Figma, a Adobe vinha priorizando integrações de produtos de terceiros com seus softwares criativos por meio de parcerias.

Esse cenário começou a mudar novamente.

Apenas um mês depois de concluir a aquisição da plataforma de visibilidade de marca e SEO Semrush, a Adobe anunciou a compra da Topaz Labs, empresa responsável por diversas ferramentas populares de melhoria de fotos e vídeos baseadas em AI.

A operação levanta uma questão importante para quem utiliza produtos das duas empresas: o que essa aquisição pode mudar na prática?

O que é a Topaz Labs?

A Topaz desenvolve ferramentas de AI voltadas principalmente para melhoria de fotos e vídeos.

A proposta é diferente das plataformas de text-to-image. Em vez de gerar imagens a partir de prompts, seus produtos são especializados em tarefas específicas, como restauração, aumento de resolução, sharpening e denoising.

A empresa possui três principais aplicativos desktop: Topaz Photo, Topaz Video e Gigapixel.

Os dois primeiros reúnem diferentes recursos de aprimoramento, incluindo recuperação de rostos, sharpening e redução de ruído. Já o Gigapixel é especializado em upscaling e consegue aumentar a resolução de uma imagem em até 16 vezes.

A Topaz também oferece versões e soluções baseadas na web, incluindo Topaz Image Web, Astra para vídeo e Bloom para upscaling.

As ferramentas de upscaling da empresa conquistaram uma reputação especialmente forte entre profissionais criativos.

O Gigapixel é bastante utilizado para aumentar a resolução de fotografias e arte digital destinadas a impressões em grandes formatos. Também se tornou popular entre usuários de AI image generators, já que muitas dessas plataformas ainda produzem imagens originalmente em resoluções relativamente baixas.

Em comparação, a solução nativa de upscaling do Photoshop é considerada inferior por muitos usuários que trabalham regularmente com esse tipo de processo.

O que a aquisição da Topaz significa para profissionais criativos?

Pelo menos inicialmente, a aquisição não deve provocar mudanças significativas para quem já utiliza os produtos da Topaz.

Segundo a Adobe, as ferramentas continuarão disponíveis como produtos independentes, separados do conjunto de aplicativos da Creative Cloud.

Isso significa que assinantes da Topaz não serão obrigados a contratar uma assinatura da Adobe para continuar utilizando os produtos.

Eric Yang, CEO da Topaz Labs, também continuará liderando a equipe da empresa, enquanto os softwares seguirão recebendo suporte e atualizações.

Para os usuários do ecossistema Adobe, porém, as consequências da aquisição podem ser mais interessantes.

Alguns modelos de AI desenvolvidos pela Topaz já haviam sido integrados diretamente ao Photoshop e ao Premiere antes mesmo da compra.

Com a aquisição, a Adobe deixa de arcar com os mesmos custos relacionados ao uso e consumo desses modelos via API.

Também é possível que a integração das tecnologias da Topaz seja acelerada em outros aplicativos da Adobe.

Uma possibilidade que já desperta interesse entre usuários, por exemplo, seria levar diretamente para o Lightroom os recursos de upscaling desenvolvidos pela Topaz.

De acordo com o anúncio da aquisição, a intenção é ampliar a oferta de modelos de imagem e vídeo da Adobe utilizando modelos avançados de AI enhancement dentro do Firefly, Firefly Services e dos aplicativos da Creative Cloud.

Na prática, isso pode resultar em recursos melhores de upscaling e denoising executados diretamente dentro dos softwares da Adobe.

A Topaz pode se tornar ainda mais importante para a estratégia de AI da Adobe

O interesse da Adobe não parece estar restrito aos aplicativos que a Topaz já comercializa atualmente.

A experiência técnica da empresa em AI pode transformá-la também em uma espécie de laboratório interno de pesquisa para o desenvolvimento de novas ferramentas.

Um dos ativos potencialmente mais importantes nessa área é uma tecnologia proprietária chamada Neurostream.

Ela permite executar modelos grandes e complexos de AI localmente em dispositivos comuns utilizados pelos consumidores.

O acesso a essa tecnologia pode permitir que a Adobe transfira parte dos processos de AI que atualmente dependem da cloud para os próprios computadores dos usuários.

Essa mudança teria algumas vantagens importantes.

Ao reduzir o processamento realizado em servidores externos, a Adobe poderia diminuir custos de infraestrutura e, ao mesmo tempo, oferecer previews e edições mais rápidas e responsivas.

O impacto real para os usuários, porém, dependerá de como essa tecnologia será implementada.

O Photoshop já possui algumas ferramentas de AI que funcionam localmente, como o Remove Tool, que pode ser utilizado offline.

Outros recursos continuam dependendo da cloud.

O Generative Fill, por exemplo, utiliza servidores da Adobe e exige uma conexão ativa com a internet para gerar novos elementos ou expandir imagens.

Caso a Adobe consiga transferir para os dispositivos dos usuários alguns dos processos de AI mais utilizados do Photoshop, os benefícios podem incluir maior privacidade e mais flexibilidade para trabalhar offline.

Há ainda uma possibilidade adicional: reduzir os custos relacionados ao processamento de AI poderia, em teoria, diminuir a necessidade ou o custo associado aos generative credits.

Se essa economia chegaria efetivamente aos usuários é outra questão.

O que profissionais criativos estão dizendo

Como seria esperado, a aquisição da Topaz pela Adobe está dividindo opiniões.

Os mais otimistas enxergam as duas empresas como uma combinação natural e acreditam que a operação pode acelerar o desenvolvimento de novas ferramentas de AI.

Há também quem veja certa ironia na aquisição, já que muitos profissionais utilizam justamente as ferramentas da Topaz para corrigir ou melhorar resultados gerados pelos softwares da Adobe.

Outros usuários estão mais preocupados.

Embora exista atualmente a promessa de que os produtos da Topaz continuarão funcionando de forma independente, algumas pessoas temem que, no futuro, essas ferramentas acabem sendo vinculadas obrigatoriamente a uma assinatura da Creative Cloud.

Também existe preocupação em relação a uma possível nova onda de consolidação no mercado de software criativo, com Adobe e outras grandes empresas adquirindo ferramentas menores e independentes.

Um usuário de longa data da Topaz afirmou que a mudança anterior da empresa para um modelo de assinatura já havia sido difícil para quem comprava seus produtos desde o início e que, por isso, não está otimista em relação ao que a aquisição pode representar no futuro.

Outro usuário explicou que utiliza produtos da Topaz diretamente dentro do Photoshop, incluindo Denoise, Sharpen e Gigapixel.

Nesse caso, a principal preocupação é perder o Gigapixel como alternativa ao upscaler do Firefly em situações nas quais os sistemas de moderação da Adobe impedem o processamento de determinada imagem.

Para profissionais que procuram evitar completamente o ecossistema Adobe, a aquisição cria outro problema: algumas pessoas podem acabar tendo que procurar novamente alternativas independentes.

Por enquanto, portanto, o cenário permanece relativamente estável para usuários da Topaz.

As ferramentas continuarão disponíveis separadamente e deverão continuar recebendo atualizações.

O impacto mais significativo pode aparecer no médio e longo prazo, principalmente na integração das tecnologias da Topaz aos softwares da Adobe, na evolução dos recursos de upscaling e denoising e na possibilidade de executar mais processos de AI diretamente nos dispositivos dos usuários.

Se isso resultará em ferramentas melhores sem reduzir a independência que tornou os produtos da Topaz populares é justamente a questão que os profissionais criativos acompanharão a partir de agora.