O que esperar ao lançar um site de ecommerce

Colocar um ecommerce no ar pode parecer simples à primeira vista, mas o processo envolve decisões que vão muito além de escolher um layout e cadastrar produtos. Design, estrutura do catálogo, questões legais, definição da tech stack e testes são apenas alguns dos desafios que surgem antes do lançamento.

E o trabalho não termina quando o site finalmente entra no ar. Depois do lançamento, é preciso continuar otimizando páginas, realizando A/B tests, acompanhando a performance e encontrando maneiras de promover a loja.

Os principais pontos antes de lançar um ecommerce

• Todo negócio de ecommerce, independentemente do nicho ou do produto vendido, precisa de uma estrutura online sólida para funcionar e crescer.

• Design do site, configuração do catálogo, questões legais, escolha da tech stack e testes estão entre os obstáculos mais comuns durante a criação de um ecommerce.

• Depois que o site estiver no ar, o foco deve continuar nas otimizações, nos A/B tests de mensagens e layouts e na promoção da loja online.

Lançar um ecommerce significa lidar com muitas possibilidades

O ecommerce é quase um velho oeste digital: um território cheio de oportunidades onde é possível vender praticamente qualquer coisa, de velas e materiais para embalagem a produtos extremamente específicos.

Ele permite que uma marca ultrapasse as limitações de um público local e alcance consumidores em praticamente qualquer lugar.

Mas toda essa liberdade também vem acompanhada de muitas incógnitas.

Existem obstáculos técnicos, questões legais, burocracia, custos que nem sempre aparecem no planejamento inicial e até temas que podem parecer assustadores para quem está começando, como PCI compliance.

A melhor maneira de lidar com esses desafios é entendê-los antes de chegar até eles. Quanto mais conhecimento existe sobre cada etapa, menores são as chances de algum problema inesperado comprometer o lançamento.

Antes do primeiro site: o papel da plataforma de ecommerce

É fácil pensar em um site de ecommerce simplesmente como um website. Na prática, porém, ele só começa a tomar forma depois que uma decisão muito mais fundamental já foi tomada: a escolha da plataforma de ecommerce.

A plataforma é a base sobre a qual todo o restante será construído.

O website é extremamente importante, mas a decisão sobre qual plataforma utilizar pode ter consequências ainda maiores no longo prazo. Escolher uma solução inadequada significa começar todo o projeto sobre uma fundação pouco confiável.

Se a plataforma ainda está sendo avaliada, alguns pontos merecem atenção especial:

• Quais plataformas atendem melhor empresas que estão começando no ecommerce.

• Quais funcionalidades são realmente indispensáveis em uma plataforma de ecommerce.

• Quais soluções fazem mais sentido para pequenas empresas e operações em crescimento.

Somente depois dessa decisão é que a construção do site propriamente dita pode avançar.

Para empresas que estão migrando de outra plataforma, a situação é um pouco diferente. Nesse caso, muitos desses desafios provavelmente já são conhecidos, embora uma migração também possa trazer suas próprias complexidades.

O que esperar durante a criação de um site de ecommerce

Em 1977, Tarō Gomi publicou “Everyone Poops”, um livro infantil que mostrava às crianças que algo aparentemente estranho ou assustador era, na verdade, completamente normal.

Talvez um livro chamado “Todo ecommerce precisa de um site” não tivesse o mesmo potencial de bestseller, mas a lógica seria semelhante.

Praticamente todas as empresas de ecommerce passam por dilemas parecidos durante a construção de sua presença digital.

Não importa o quão único seja o negócio ou o quão específico seja o nicho: é difícil escapar da necessidade de uma boa plataforma online.

Seria como montar uma barraca de limonada sem a barraca. No fim, sobraria apenas alguém parado segurando alguns limões.

Da mesma forma que aquilo que parece complicado se torna mais simples quando é compreendido, criar um ecommerce deixa de ser tão intimidador quando se percebe que os mesmos desafios já foram enfrentados — e resolvidos — por muitas outras empresas.

Com algum conhecimento e preparação, é possível evitar boa parte dos problemas recorrentes na construção de uma loja online.

Entre os principais desafios estão design, catálogo, aspectos legais, tech stack e testes.

Atrasos no design do site

Existe apenas uma oportunidade para causar uma boa primeira impressão.

Ter um site que represente corretamente o branding da empresa e consiga surpreender positivamente os consumidores faz parte dessa primeira experiência.

Justamente porque tanta coisa depende do design, algumas situações acabam atrasando o projeto.

Excesso de opções

Escolher um theme costuma ser uma das primeiras etapas, já que ele influencia tanto a aparência quanto a usabilidade do site.

Mesmo essa decisão aparentemente simples pode consumir muito tempo.

Uma quantidade enorme de opções pode fazer com que a equipe perca ritmo antes mesmo de começar a configuração mais importante.

O ideal é reduzir as possibilidades para algumas alternativas, avaliar a experiência do usuário e tomar uma decisão.

Analysis paralysis

Também é fácil entrar em um ciclo interminável de ajustes pequenos no theme tentando chegar à versão perfeita.

Cores mudam repetidamente, espaçamentos são revistos, detalhes são ajustados e o lançamento nunca parece pronto.

A busca pela perfeição não pode impedir o projeto de avançar.

Definir previamente as diretrizes de branding, selecionar cores coerentes e estabelecer regras visuais ajuda a reduzir essas indecisões.

Além disso, praticamente tudo pode ser ajustado posteriormente.

Navegação definida tarde demais

A navegação e a estrutura de categorias influenciam diretamente a experiência do usuário porque determinam a facilidade com que os consumidores encontram aquilo que procuram.

Durante o design, é comum concentrar atenção nos elementos visuais mais chamativos e deixar a navegação em segundo plano.

Isso pode ser um erro.

A estrutura de categorias e a navegação precisam ser planejadas durante a fase de design, e não depois do lançamento.

Caso contrário, existe o risco de prejudicar o SEO e também de confundir consumidores que já haviam se acostumado com determinada UX.

Experiência mobile negligenciada

A maioria dos themes modernos é responsiva e desenvolvida para funcionar corretamente em dispositivos mobile.

Ainda assim, isso não significa que a experiência mobile deva ser deixada para a última etapa.

O site precisa ser testado no mobile durante todo o desenvolvimento da versão desktop.

Navegação, busca, menus e dropdowns merecem atenção especial.

O processo de design deve resultar em uma experiência tão particular quanto o próprio branding da empresa.

Quando houver dúvida sobre alguma decisão, vale olhar para o site pela perspectiva do consumidor e avaliar se a experiência é realmente agradável e intuitiva.

Problemas na configuração do catálogo

Se todo ecommerce precisa de um site, existe outra regra igualmente importante: os clientes precisam de um catálogo organizado para conseguir encontrar os produtos.

A qualidade do catálogo influencia diversas áreas da operação.

Quando ele é bem estruturado, aumenta a possibilidade de os produtos aparecerem em resultados de busca e em respostas geradas por AI, além de ampliar a cobertura no Google Merchant.

Por ser tão importante, o catálogo também costuma concentrar alguns dos problemas mais trabalhosos da implementação.

Descrições e títulos de produtos

Produzir títulos e descrições para todos os produtos demanda bastante tempo.

Ao mesmo tempo, esse conteúdo é uma das partes mais importantes de um bom catálogo.

Não é uma etapa que deve ser feita às pressas.

Também é fundamental manter a terminologia consistente.

Se determinada linha de produtos for chamada de “tênis esportivos femininos”, por exemplo, não faz sentido alternar constantemente entre “tênis esportivos” e “tênis de corrida” para representar exatamente a mesma categoria.

O mesmo vale para pequenas variações de nomenclatura.

Se a empresa decide utilizar “t-shirt”, por exemplo, deve evitar alternar desnecessariamente com outras formas de escrever o mesmo produto.

Consistência ajuda tanto o usuário quanto os sistemas responsáveis pela organização e descoberta dessas informações.

Produção de imagens

Imagens de produtos em alta qualidade são indispensáveis.

Por outro lado, produzi-las pode consumir uma parcela considerável do tempo de preparação do catálogo quando os materiais ainda não estão disponíveis.

Também é importante observar o tamanho dos arquivos.

Imagens muito pesadas podem prejudicar a velocidade do site.

Uma referência apresentada é manter os arquivos abaixo de aproximadamente 200 KB sempre que possível, utilizando ferramentas de compressão capazes de reduzir o peso sem gerar uma perda visual perceptível.

Depois da compressão, qualquer texto presente na imagem também deve continuar perfeitamente legível.

Estrutura das categorias

Uma hierarquia de produtos intuitiva e consistente é essencial.

Caso contrário, o catálogo pode rapidamente se transformar em uma estrutura confusa tanto para consumidores quanto para mecanismos de busca.

É importante evitar um número excessivo de categorias.

Ao mesmo tempo, pequenas sobreposições entre algumas delas não precisam ser vistas necessariamente como um problema.

O objetivo é construir uma organização que faça sentido para quem procura os produtos.

Erros de metadata

Metadata completa e precisa pode influenciar diretamente a performance de SEO.

Mesmo assim, essa etapa costuma ser negligenciada.

Ao finalizar cada produto do catálogo, é importante preencher também informações como meta title e meta description.

Investir mais tempo para estruturar corretamente o catálogo desde o início tende a evitar problemas maiores no futuro.

Conforme a empresa e o número de produtos crescem, qualquer falha presente na estrutura inicial também tende a aumentar.

É melhor resolver essas questões enquanto o catálogo ainda é administrável do que tentar reorganizar tudo depois.

Questões legais e burocracia

Ecommerce não é feito apenas de criatividade, produtos e vendas.

Também existem questões legais.

O volume de exigências pode variar bastante dependendo do segmento.

Uma empresa que vende produtos simples provavelmente terá menos barreiras regulatórias do que um ecommerce que comercializa bebidas alcoólicas ou outros itens sujeitos a regulamentações específicas.

Essas questões não precisam impedir o lançamento, mas precisam ser consideradas desde o começo.

• PCI compliance: empresas que aceitam pagamentos online com cartão precisam cumprir os requisitos de PCI compliance. Muitas plataformas de ecommerce já oferecem infraestrutura preparada para atender essas exigências, mas é importante entender como a responsabilidade é distribuída.

• Políticas de privacidade: muitos mercados exigem que sites disponibilizem uma política de privacidade. Mesmo que ela raramente seja a página mais visitada da loja, deve estar preparada desde o lançamento, assim como os termos de serviço quando aplicáveis.

• Acessibilidade: nem todos os sites estão sujeitos exatamente às mesmas exigências de acessibilidade, mas garantir uma experiência acessível continua sendo uma boa prática. Isso pode incluir alt text adequado nas imagens, navegação pelo teclado e outras medidas que permitam que mais pessoas utilizem o site.

• Coleta de impostos: a tributação no ecommerce pode se tornar complexa porque regras e alíquotas podem variar entre estados e jurisdições. É importante entender as obrigações aplicáveis ao negócio e, quando possível, utilizar sistemas capazes de automatizar parte do cálculo no checkout.

Para quem não trabalha diretamente com legislação, essa parte do ecommerce pode parecer intimidadora.

Ainda assim, ela não precisa impedir a construção do negócio.

O importante é conhecer as exigências básicas e buscar orientação especializada sempre que houver dúvidas.

Problemas na tech stack

Idealmente, uma boa plataforma de ecommerce oferece diversas funcionalidades importantes fora da caixa.

Mesmo assim, é provável que a operação eventualmente precise de integrações e ferramentas de terceiros.

Cada nova integração pode aumentar a complexidade da configuração inicial.

Por isso, algumas questões precisam ser avaliadas antes de expandir a tech stack.

• Consequências de longo prazo: diversas integrações, como processadores de pagamento, ferramentas de email e ERP, podem ser difíceis de substituir depois que já fazem parte da operação. Não vale acelerar uma decisão apenas para lançar mais rápido. As ferramentas precisam atender às necessidades atuais e também ter capacidade de acompanhar o crescimento futuro.

• Excesso de integrações: adicionar muitos apps e integrações a um site novo é relativamente comum. Isso pode gerar gastos desnecessários e também prejudicar a performance antes mesmo da chegada dos primeiros consumidores. O ideal é instalar apenas aquilo que realmente é necessário.

• Funcionalidades sobrepostas: antes de adicionar uma nova ferramenta, é importante entender o que a própria plataforma e as integrações existentes já fazem. Caso contrário, a empresa pode acabar pagando por vários sistemas que executam praticamente a mesma função.

• Problemas de workflow: uma integração não corrige automaticamente um workflow ruim. Antes de contratar uma nova ferramenta para resolver determinado problema, é importante analisar o processo atual e entender se realmente falta alguma funcionalidade ou se o que precisa ser melhorado é o próprio workflow.

Não há necessidade de se precipitar nessa etapa.

A jornada do consumidor deve continuar sendo a prioridade.

Primeiro, é preciso analisar os processos e verificar se eles são eficientes e coerentes. Somente quando uma lacuna real permanecer faz sentido buscar uma nova integração.

Testar, testar e testar

Durante a construção de um ecommerce, é fácil dedicar tanta atenção aos pequenos detalhes que a experiência completa acaba ficando em segundo plano.

São muitas peças trabalhando ao mesmo tempo para transformar o negócio em uma operação funcional.

Desde as primeiras etapas da configuração até o lançamento e muito depois dele, porém, todo esse trabalho precisa resultar em uma excelente experiência para o consumidor.

E existe uma maneira bastante direta de descobrir se isso está realmente acontecendo: testar.

Algo pode parecer perfeito durante o desenvolvimento e ainda assim não funcionar da maneira esperada.

Somente testes consistentes conseguem revelar esses problemas.

• Testes do checkout: o processo de compra deve ser executado repetidamente para verificar se funciona de maneira simples e eficiente. Também é necessário considerar edge cases, como cupons de desconto, pedidos muito grandes e pagamentos que falham.

• Testes mobile: checkout, navegação, busca de produtos e outras funcionalidades precisam ser avaliados cuidadosamente em dispositivos mobile. Os testes devem considerar diferentes sistemas, incluindo iOS e Android, além de tablets.

• Testes de email: se existe newsletter ou qualquer outro formulário de cadastro de email, é importante realizar inscrições de teste e verificar como as mensagens aparecem em diferentes tamanhos de tela, browsers e ambientes.

• Testes de velocidade: a performance precisa ser acompanhada durante toda a construção do site e também depois do lançamento. Ferramentas como o Google PageSpeed Insights ajudam a identificar problemas. Quando houver queda de velocidade, vale verificar integrações adicionadas recentemente, imagens excessivamente pesadas e outros elementos que possam estar prejudicando o carregamento.

A vontade de colocar o site no ar o mais rápido possível é compreensível, mas os testes não devem ser tratados como uma etapa opcional.

Existe apenas uma primeira impressão.

No momento da abertura da loja, o ideal é que a experiência funcione da maneira mais fluida possível.

Depois que o ecommerce estiver estável e funcionando, começa uma nova etapa de testes.

A/B testing pode ser aplicado a diferentes áreas, de campanhas de email a descrições de produtos, páginas e mensagens.

E depois do lançamento?

O site está no ar.

Tudo parece funcionar.

E agora?

É nesse momento que começa outra parte importante do trabalho.

A empresa deve continuar realizando A/B tests, procurando novas oportunidades de otimização e acompanhando de perto a performance da operação.

Se os consumidores estiverem abandonando determinada etapa da jornada ou um produto não estiver apresentando o resultado esperado, é necessário investigar o comportamento, testar alternativas e descobrir quais abordagens geram maior resposta.

Quando a operação estiver funcionando de maneira consistente, chega o momento de ampliar os esforços de divulgação da loja.

E depois disso?

Mais testes.

No ecommerce, esse processo dificilmente termina.