O que esperar da publicidade digital e do comércio em 2026

No cenário atual, consumidores enfrentavam um dilema: comprar rapidamente correndo o risco de escolher mal ou gastar horas pesquisando até tomar a melhor decisão. Em 2026, essa troca entre velocidade e certeza está desaparecendo. Com o avanço da inteligência artificial (IA), é possível unir rapidez e confiança — criando uma nova forma de consumir e comprar.

Estamos entrando em um momento transformador para empresas e consumidores que exige um novo manual estratégico para publicidade e comércio digital, focado em experiências mais fluidas, assistivas e personalizadas.


A influência se torna impacto nas plataformas de vídeo e conteúdo

Plataformas de vídeo em formato curto e conteúdos audiovisuais continuam dominando a atenção dos consumidores. Vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos criados por especialistas e influenciadores tornaram-se canais essenciais de descoberta.

Os criadores de conteúdo passaram a desempenhar um papel decisivo na jornada de compra. Isso significa que marcas podem transformar influência em impacto real nas vendas ao estabelecer conexões autênticas com comunidades específicas e utilizar inteligência de dados para identificar correspondências naturais entre marcas e públicos.


A reinvenção dos anúncios na era da busca conversacional

A forma como as pessoas pesquisam mudou profundamente. A busca já não depende apenas de palavras-chave: imagens, comandos de voz e perguntas em linguagem natural passaram a dominar a experiência.

Nesse contexto, os anúncios evoluem para não apenas aparecer, mas inspirar e responder ao mesmo tempo — integrando-se à experiência de descoberta, em vez de interrompê-la. Formatos mais inteligentes combinam recomendações orgânicas e conteúdos patrocinados de forma fluida, tornando a jornada mais intuitiva e útil para quem pesquisa, compara e decide.


O avanço do comércio assistido por IA

Um conceito que ganha força é o chamado comércio assistido por agentes inteligentes — experiências em que sistemas baseados em IA auxiliam ou até conduzem parte da jornada de compra.

Esse modelo reduz fricções, simplifica decisões e oferece suporte contextualizado, indo da descoberta à finalização da compra com menos esforço do consumidor. Para as marcas, isso representa uma oportunidade de criar experiências diferenciadas, personalizadas e mais eficientes.


Crescimento acelerado por meio de IA avançada

Modelos de IA cada vez mais sofisticados estão transformando as expectativas de performance em publicidade digital. Eles impulsionam não apenas a criatividade — como geração de imagens, vídeos e textos em escala — mas também:

  • Otimização dinâmica de campanhas, ajustadas em tempo real com base em intenção e comportamento;
  • Automação inteligente de mídia, liberando equipes para decisões mais estratégicas;
  • Mensuração integrada e orientada por dados, conectando performance e insights de forma mais consistente.

Esse avanço permite que empresas ampliem sua presença digital com maior eficiência e impacto direto nos resultados de negócio.


Confiança e privacidade como base da nova experiência digital

Para que toda essa evolução tecnológica seja sustentável, a confiança do consumidor precisa estar no centro da estratégia.

Isso inclui:

  • transparência no uso de dados;
  • controle claro sobre personalização;
  • segurança em todos os pontos de contato digital.

Sem esse pilar, experiências assistidas por IA e agentes inteligentes perdem credibilidade e aderência no longo prazo.


O novo funil deixou de ser linear

Se antes o funil de marketing seguia etapas relativamente previsíveis — descoberta, consideração e conversão —, em 2026 ele se torna não linear, contínuo e altamente assistido por IA.

Hoje, um consumidor pode:

  • Descobrir um produto em um vídeo curto;
  • Tirar dúvidas por meio de busca conversacional;
  • Receber recomendações personalizadas em tempo real;
  • Finalizar a compra com auxílio de um agente inteligente.

Isso significa que a jornada não é mais controlada pela marca, mas co-construída entre consumidor, dados e tecnologia.

Para os profissionais de marketing digital, isso exige:

  • Estratégias omnichannel integradas;
  • Dados conectados entre mídia paga, orgânica e CRM;
  • Modelos de atribuição mais sofisticados.

Criatividade orientada por dados (e não o contrário)

A inteligência artificial também muda a lógica da criação publicitária.

Antes, campanhas eram desenvolvidas primeiro e depois otimizadas. Agora, a criatividade nasce com base em dados, sinais de intenção e aprendizado de máquina.

Isso permite:

  • Variações dinâmicas de criativos;
  • Personalização em escala;
  • Testes contínuos automatizados;
  • Ajustes em tempo real com base em performance.

A criatividade deixa de ser apenas inspiração e passa a ser engenharia estratégica de performance.


Performance e branding deixam de competir

Durante anos, branding e performance foram tratados como estratégias separadas. Em 2026, essa divisão perde sentido.

Plataformas inteligentes conseguem:

  • Medir impacto de marca e conversão simultaneamente;
  • Conectar exposição a resultados de negócio;
  • Ajustar investimentos automaticamente com base em metas.

Isso cria uma nova mentalidade: construir marca também é gerar performance.

Empresas que ainda separam esses dois mundos tendem a perder eficiência.


A importância dos dados proprietários

Com maior foco em privacidade e restrições ao uso de dados de terceiros, os chamados dados proprietários (first-party data) tornam-se ativos estratégicos.

Isso inclui:

  • Bases de clientes;
  • Histórico de compras;
  • Interações em canais próprios;
  • Dados comportamentais consentidos.

Empresas que investem em captura e organização desses dados conseguem alimentar melhor seus modelos de IA e obter campanhas mais eficazes.

Em 2026, dados não estruturados e isolados representam desvantagem competitiva.


O papel estratégico da automação

Automação não significa apenas economia de tempo. Ela redefine o papel do profissional de marketing.

Com tarefas operacionais sendo executadas por IA, equipes passam a focar em:

  • Estratégia;
  • Posicionamento;
  • Experiência do usuário;
  • Diferenciação criativa.

A tecnologia assume o operacional. O humano assume a visão.


Comércio conversacional e fricção zero

A expectativa do consumidor evolui para algo simples: resolver tudo no menor número possível de etapas.

Isso inclui:

  • Buscar por voz;
  • Comparar produtos com ajuda contextual;
  • Receber recomendações sob medida;
  • Finalizar compras sem redirecionamentos complexos.

Quanto menor a fricção, maior a conversão.

Empresas que ainda dependem de jornadas longas, formulários extensos e múltiplos cliques tendem a perder relevância.


O impacto nas pequenas e médias empresas

Um dos efeitos mais relevantes dessa transformação é a democratização da tecnologia.

Ferramentas baseadas em IA permitem que pequenas e médias empresas:

  • Criem campanhas sofisticadas;
  • Automatizem mídia;
  • Produzam criativos em escala;
  • Competam com grandes marcas em igualdade estratégica.

O diferencial deixa de ser orçamento e passa a ser inteligência na aplicação da tecnologia.


Tendências estratégicas para observar até 2026

Para profissionais de publicidade, marketing e tecnologia, vale acompanhar de perto:

  • Evolução da busca conversacional;
  • Crescimento do comércio assistido por IA;
  • Expansão da automação criativa;
  • Consolidação de dados proprietários;
  • Integração total entre mídia, dados e experiência.

Esses fatores devem moldar os próximos ciclos de investimento digital.


Considerações finais

A publicidade digital e o comércio eletrônico estão passando por uma mudança estrutural, não apenas incremental.

Em 2026, o cenário será definido por:

  • Experiências mais inteligentes;
  • Decisões assistidas por IA;
  • Jornadas integradas;
  • Personalização em escala;
  • Confiança como ativo central.

Mais do que acompanhar tendências, as marcas precisam adaptar mentalidade, processos e infraestrutura.

O futuro da publicidade não será apenas digital — será inteligente, conversacional e assistido.