Preferência da Geração Z pelo TikTok em vez do Google cai pela metade

Durante os últimos anos, uma ideia ganhou força no mercado digital: a de que a Geração Z estaria trocando o Google pelo TikTok na hora de pesquisar informações. A lógica fazia sentido. Afinal, os jovens passaram a usar cada vez mais vídeos curtos para descobrir restaurantes, produtos, tendências, tutoriais, destinos de viagem e até respostas rápidas para dúvidas do dia a dia.

Mas novos dados mostram que essa mudança pode ser mais complexa do que parecia. Embora o TikTok continue sendo usado como ferramenta de busca por uma parcela relevante dos consumidores, a preferência da Geração Z pela plataforma em comparação ao Google caiu significativamente.

Segundo uma pesquisa recente realizada nos Estados Unidos, 49% dos consumidores afirmaram já ter usado o TikTok como mecanismo de busca. Esse número representa um crescimento em relação a levantamentos anteriores e confirma que o comportamento de busca está se espalhando por diferentes plataformas.

No entanto, quando a análise se concentra na preferência direta entre TikTok e Google, o cenário muda. Entre os respondentes da Geração Z, a parcela que afirmou confiar mais no TikTok do que no Google caiu de 8% para 4% em dois anos. Em outras palavras, a preferência pelo TikTok como substituto do Google foi reduzida pela metade.

O TikTok continua relevante, mas não está substituindo o Google

O dado não significa que o TikTok deixou de ser importante. Pelo contrário: 65% dos entrevistados da Geração Z disseram já ter usado a plataforma como ferramenta de busca. Além disso, 25% consideraram o TikTok eficaz para encontrar informações.

A diferença está no papel que a plataforma ocupa. Em vez de substituir totalmente o Google, o TikTok parece estar se consolidando como parte de um comportamento de busca mais fragmentado. O usuário não escolhe apenas uma plataforma para tudo. Ele alterna entre Google, TikTok, YouTube, Reddit, ChatGPT e outros canais conforme o tipo de dúvida, o formato desejado e o nível de confiança necessário.

Para buscas visuais, inspirações rápidas, recomendações de lugares, tendências e demonstrações de produtos, o TikTok pode ser extremamente útil. Já para pesquisas mais amplas, informações verificáveis, comparação de fontes e consultas mais complexas, o Google ainda mantém uma posição muito forte.

ChatGPT aparece como concorrente mais amplo

Outro ponto importante da pesquisa é o crescimento do ChatGPT como alternativa de busca. Entre os consumidores entrevistados, 14% afirmaram ser mais propensos a confiar no ChatGPT do que no Google como ferramenta de pesquisa.

Esse percentual é o dobro do registrado para o TikTok no mesmo tipo de comparação. Enquanto o TikTok aparece mais associado a um comportamento de busca específico, principalmente ligado a descoberta visual e consumo de conteúdo, o ChatGPT surge como uma alternativa mais transversal, usada por diferentes faixas etárias.

Os dados também indicam que o interesse pelo ChatGPT como ferramenta de busca não está concentrado apenas na Geração Z. A preferência apareceu de forma relativamente equilibrada entre diferentes gerações, incluindo millennials, Geração X e baby boomers.

Isso mostra que a competição pela atenção do usuário não está acontecendo apenas entre Google e redes sociais. As ferramentas de inteligência artificial também passaram a disputar um espaço importante no processo de descoberta, pesquisa e tomada de decisão.

Google ainda lidera entre as plataformas mais úteis

Apesar do crescimento de novos hábitos, o Google continua sendo percebido como a plataforma mais útil para busca. Quando perguntados sobre quais plataformas consideravam mais úteis para pesquisar informações, os consumidores colocaram o Google em primeiro lugar, com ampla vantagem.

Na sequência apareceram plataformas como Reddit, ChatGPT, YouTube e TikTok. Esse ranking ajuda a entender melhor o momento atual: o consumidor está usando mais canais, mas ainda enxerga o Google como referência principal para busca.

O TikTok, portanto, não deve ser ignorado, mas também não deve ser tratado como substituto absoluto do Google. Para marcas, criadores de conteúdo e profissionais de marketing, a leitura mais estratégica é outra: a jornada de busca está cada vez mais distribuída.

Investimento das empresas no TikTok mostra sinais de cautela

A pesquisa também analisou o comportamento de pequenos empresários. Entre os entrevistados, 58% disseram já ter usado o TikTok para ações promocionais. Em média, os negócios destinaram 16% do orçamento de marketing à criação de conteúdo para a plataforma e 15% do orçamento de SEO à otimização para buscas no TikTok.

Mesmo assim, o entusiasmo parece estar mais moderado. A parcela de empresários que pretende aumentar o investimento em marketing de afiliados no TikTok caiu em relação a levantamentos anteriores.

O principal desafio apontado foi transformar engajamento em vendas. Isso reforça uma preocupação comum entre marcas: o TikTok pode gerar alcance, visualizações e interações, mas nem sempre esses indicadores se convertem diretamente em receita.

Ao mesmo tempo, o uso de influenciadores na plataforma cresceu. Mais empresas passaram a recorrer a criadores de conteúdo para promover produtos e impulsionar vendas, o que mostra que o TikTok continua sendo relevante dentro das estratégias de social media e influência.

O que isso significa para SEO e marketing digital?

A ideia de que “o TikTok está substituindo o Google” simplifica demais um comportamento muito mais amplo. O que os dados sugerem é que os consumidores estão adotando uma lógica multiplataforma.

Eles podem buscar uma recomendação visual no TikTok, aprofundar a pesquisa no Google, conferir opiniões no Reddit, assistir a uma análise no YouTube e pedir uma explicação resumida ao ChatGPT. Tudo isso pode fazer parte da mesma jornada.

Para profissionais de marketing, isso muda a forma de pensar presença digital. SEO não deve mais ser entendido apenas como otimização para mecanismos de busca tradicionais. A marca precisa ser encontrável em diferentes ambientes: buscadores, redes sociais, plataformas de vídeo, comunidades online e ferramentas de inteligência artificial.

Isso não significa abandonar o Google. Pelo contrário: a plataforma continua sendo essencial. Mas também significa que depender exclusivamente dela pode limitar a visibilidade da marca em um cenário em que os usuários pesquisam de maneiras cada vez mais variadas.

A busca está menos centralizada

O comportamento da Geração Z ajuda a antecipar uma tendência maior: a busca deixou de acontecer em um único lugar. O usuário quer respostas rápidas, formatos variados, experiências visuais, recomendações reais e conteúdos que pareçam mais próximos da sua realidade.

Nesse contexto, o TikTok permanece importante, especialmente para marcas que desejam se conectar com públicos mais jovens e explorar conteúdos de descoberta. Mas os dados mostram que ele não está, necessariamente, tomando o lugar do Google.

O sinal mais relevante para o mercado é outro: a busca está se tornando mais distribuída, mais conversacional e mais influenciada por inteligência artificial.

Para marcas, o desafio não é escolher entre Google, TikTok ou ChatGPT. É entender o papel de cada plataforma na jornada do consumidor e construir uma presença digital preparada para aparecer onde as pessoas realmente procuram respostas.