IA na publicidade online: 5 tendências que estão mudando o marketing digital em 2026

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para campanhas digitais. Em 2026, ela está se tornando parte central da forma como consumidores pesquisam, comparam, compram e interagem com marcas.

O mês de maio foi especialmente movimentado para quem acompanha publicidade online, mídia paga e tecnologia. Novos formatos de anúncios em experiências conversacionais, plataformas de compra com IA, modelos de criação de vídeo e soluções de comércio agêntico mostram que o marketing digital está entrando em uma fase em que a jornada do consumidor pode acontecer cada vez mais dentro de interfaces inteligentes.

A seguir, veja cinco tendências que merecem atenção dos anunciantes.

1. Anúncios começam a entrar nas conversas com IA

Uma das mudanças mais importantes está acontecendo na busca. Em vez de aparecerem apenas ao lado dos resultados tradicionais, os anúncios passam a fazer parte de experiências mais conversacionais, especialmente em ambientes impulsionados por IA.

Durante o Google Marketing Live 2026, foram apresentados formatos pensados para o AI Mode e para buscas mais complexas. A lógica é simples: quando o usuário faz uma pergunta mais detalhada, a IA pode ajudar a organizar a resposta e, ao mesmo tempo, apresentar anúncios mais conectados à intenção daquela busca.

Entre as novidades, aparecem formatos como Conversational Discovery Ads e Highlighted Answers, que aproximam os anúncios do momento de descoberta, comparação e decisão. Também ganham força recursos como agentes de atendimento dentro dos anúncios, capazes de responder dúvidas do usuário sem que ele precise sair da página de resultados.

Para anunciantes, isso representa uma mudança significativa. A qualidade dos dados, dos feeds, dos criativos e da estrutura das campanhas passa a influenciar não apenas a entrega em mídia paga, mas também a capacidade da marca de aparecer em respostas geradas por IA.

Na prática, campanhas bem configuradas, com informações completas e consistentes, tendem a ganhar vantagem em um ambiente em que a IA precisa entender rapidamente o que uma marca oferece, para quem oferece e em qual contexto aquela oferta faz sentido.

2. ChatGPT se consolida como novo espaço publicitário

Outro movimento importante é a entrada de anúncios em assistentes de IA. O ChatGPT começou a testar anúncios em 2026, inicialmente em alguns mercados e para usuários de planos gratuitos ou de baixo custo. A proposta é que os anúncios apareçam de forma separada das respostas, com identificação clara de conteúdo patrocinado.

Além da fase inicial de testes, também foi anunciado um Ads Manager em versão beta, ampliando as possibilidades para empresas criarem e gerenciarem campanhas dentro desse novo ambiente.

Para o mercado publicitário, isso abre uma nova categoria de mídia. Diferentemente de redes sociais ou buscadores tradicionais, o ChatGPT é usado em momentos de pesquisa, comparação, planejamento e tomada de decisão. Isso pode criar oportunidades relevantes para marcas que desejam aparecer quando o usuário ainda está formando uma opinião ou avaliando caminhos.

Ao mesmo tempo, esse tipo de canal exige cuidado. Não basta replicar a lógica de anúncios tradicionais. A comunicação precisa ser útil, contextual e respeitar a experiência do usuário. Em ambientes conversacionais, anúncios invasivos ou pouco relevantes podem gerar rejeição rapidamente.

Por isso, a recomendação para marcas é acompanhar a evolução do canal, testar com orçamento controlado, definir KPIs claros e entender como esse comportamento se diferencia de outros meios pagos.

3. IA generativa acelera a produção de vídeos para campanhas

A criação de vídeos também está sendo impactada de forma direta pela inteligência artificial. Modelos como o Gemini Omni mostram uma nova etapa da produção audiovisual com IA: a possibilidade de gerar e editar vídeos a partir de diferentes tipos de entrada, como texto, imagem, áudio e vídeo existente.

O ponto mais relevante para anunciantes está na edição conversacional. Em vez de depender de longos processos de edição, uma equipe pode pedir alterações em linguagem natural, como mudar o fundo, adaptar o estilo visual, ajustar elementos da cena ou criar variações para diferentes campanhas.

Isso pode reduzir o tempo entre ideia, teste e veiculação. Para marcas que trabalham com muitos produtos, datas sazonais, formatos curtos e variações para diferentes plataformas, a IA pode ajudar a produzir mais versões criativas com menor custo operacional.

Ainda assim, a tecnologia não elimina a necessidade de revisão humana. Criativos gerados ou editados por IA precisam ser avaliados com atenção para garantir consistência visual, precisão das informações, adequação à marca e ausência de erros.

A grande oportunidade está em usar a IA como aceleradora de produção, não como substituta completa da estratégia criativa.

4. Pinterest mostra o impacto da IA na performance de mídia

O Pinterest também voltou a chamar atenção do mercado publicitário. No primeiro trimestre de 2026, a plataforma registrou mais de US$ 1 bilhão em receita e alcançou 631 milhões de usuários ativos mensais no mundo.

Parte desse crescimento está relacionada ao avanço de ferramentas de anúncios com IA, como soluções voltadas para performance, segmentação e otimização de campanhas. O Pinterest sempre teve uma característica importante para anunciantes: muitos usuários entram na plataforma com intenção de inspiração, planejamento e compra.

Com ferramentas de IA mais eficientes, essa intenção pode ser conectada com anúncios de forma mais precisa. Isso torna a plataforma especialmente interessante para segmentos visuais e de descoberta, como moda, beleza, decoração, alimentação, turismo, eventos, casa, design e e-commerce.

Para marcas que ainda tratam o Pinterest como um canal secundário, o momento pode ser de reavaliação. O ideal é testar a plataforma com rastreamento de conversões bem configurado, metas claras e criativos adaptados ao comportamento de busca visual.

A combinação entre intenção de compra e segmentação baseada em IA pode transformar o Pinterest em um canal mais estratégico dentro do mix de mídia paga.

5. Carrinho universal e comércio agêntico mudam a jornada de compra

Outra tendência importante é o avanço do comércio agêntico, em que a IA ajuda o consumidor a pesquisar, comparar e até concluir compras de forma mais integrada.

O Google apresentou o Universal Cart, um carrinho inteligente pensado para funcionar em diferentes superfícies, como Busca, Gemini, YouTube e Gmail. A ideia é permitir que o usuário reúna produtos de diferentes lojistas em uma experiência mais fluida, com apoio de IA para identificar ofertas, acompanhar preços, sugerir alternativas e facilitar o checkout.

Para varejistas e anunciantes, a principal implicação está na qualidade dos dados de produto. Se a IA passa a intermediar parte da jornada de compra, feeds incompletos, títulos confusos, descrições fracas, preços desatualizados e informações mal estruturadas podem prejudicar a visibilidade da marca.

Nesse cenário, o feed de produtos deixa de ser apenas um requisito técnico e passa a ser parte essencial da estratégia de mídia e performance. Quanto mais limpa, completa e organizada estiver a informação, maiores as chances de o produto ser compreendido, recomendado e exibido em experiências movidas por IA.

A lógica do e-commerce também muda. O consumidor pode não passar necessariamente pelo site da marca em todas as etapas. Parte da descoberta, comparação e decisão pode acontecer dentro de ambientes conversacionais ou carrinhos integrados.

O que essas tendências indicam para o futuro da publicidade online

As principais novidades de 2026 apontam para uma mudança maior: a IA está deixando de ser apenas uma camada de automação e passando a ocupar o centro da experiência digital.

Ela aparece na busca, na mídia paga, na produção criativa, na recomendação de produtos, no atendimento, no carrinho de compras e na mensuração de resultados. Para marcas e anunciantes, isso significa que a preparação para esse novo cenário precisa acontecer em várias frentes.

Não se trata apenas de usar ferramentas de IA. É preciso organizar dados, melhorar feeds, estruturar campanhas, revisar processos criativos, testar novos canais e entender como o comportamento do consumidor muda quando a jornada passa a ser mediada por assistentes inteligentes.

A vantagem competitiva tende a ficar com as marcas que aprendem mais rápido. Quem começar agora a testar, medir e adaptar suas estratégias terá mais repertório quando esses formatos se tornarem parte do padrão da publicidade digital.

A era da IA na publicidade online já não é uma previsão distante. Ela está se consolidando na prática, e os próximos meses devem acelerar ainda mais essa transformação.